M O L W I C K
  

María José T. Molina

Teoria Cognitiva Global

A VONTADE,
E A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

A existência de sentimentos

A existência de sentimentos

4. O ser humano, os sentimentos e a vontade

4.a) Não existência

De toda a discussão anterior sobre a vontade, uma implicação lógica emerge lentamente: se as decisões que tomamos não dependem de um só ente ou origem da vontade, parece claro que é porque o referido ser não existe.

Por outras palavras, o ser humano como ser vivo com vontade individual não existe. A vontade humana é a consequência das vontades individuais de imensos seres mais elementares, gerada através do sistema dinâmico de tomada de decisões pessoal.

Neste sentido, poderíamos negar a existência, ou seja: Penso, logo não existo.”

Pelo contrário, a ideia de ser humano encaixa perfeitamente no conceito de sistema de impulso vital.

O livro da Teoria Geral da Evolução Condicionada da Vida – TGECV define os sistemas de impulso vital como aqueles que, por um ou outro motivo, se comportam como se fossem seres vivos, ou pelo menos, têm muitas das características principais dos seres vivos.

Da mesma forma, comentei que os animais superiores podemos ser considerados como macro-sociedades simbióticas de unidades mais elementares com vida própria, como as células.

Por ordem de proximidade intuitiva, indica que o primeiro tipo de sistemas de impulso vital estará formado por aqueles cujas componentes são por sua vez, seres vivos (nação, estado, colmeia, ecossistemas).

Por tudo o que foi dito antes, perguntas como de onde vimos?, para onde vamos?, quem somos?, são muito difíceis de responder, talvez impossível. É como perguntar De onde vem um estado? Para onde vai uma colmeia?

Não têm muito sentido estas perguntas por que estamos a falar de formas organizadas. Para poder responder a ditas perguntas, deveríamos antes responder com precisão à pergunta o que somos?

De um ponto de vista estritamente científico, somos um animal que vem do macaco e parece que unicamente existimos como sistema de impulso vital.

Nem sequer podemos garantir a existência do ser humano de forma contínua de um ponto de vista espiritual, visto que, como vimos ao falar dos processos de tomada de decisões ou formação da vontade, as nossas diferentes componentes ou elementos individuais nem sempre estão de acordo nem têm os mesmos pontos de vista ou a mesma moral.

 

4.b) O ser e a existência 

Não queria acabar este apartado tão fria e negativamente. Dizer que o ser é um sistema de impulso vital não é depreciativo, pelo contrário, é um modo de conseguir dominar escalas superiores ao próprio indivíduo. Atualmente, um país permite conseguir objetivos para todos e cada um dos seus cidadãos que não de obteriam de nenhuma outra forma organizativa.

Yellowstone
Canada (Imagem de domínio público)  Yellowstone

Em relação à dimensão espiritual também se podem apresentar aspectos positivos, por vezes, parece que nos comportamos ou temos sentimentos como um só indivíduo, como se se desse a unanimidade no processo de decisões, como se existisse uma sincronização perfeita dos sentimentos, como se fôssemos uma enorme borbulha de energia.

Em relação à existência de sentimentos o funcionamento do ser é diferente, um sentimento não se decide por maioria, antes nos invade, nos engrandece… Poderíamos citar aqui muitíssimas frases de caráter religioso e de diversas religiões que têm muito sentido quando falamos de sentimentos e da natureza espiritual dos seres vivos.

Por exemplo, quando falamos de três pessoas em uma poderia referir-se a alguma coisa parecida ao comentado, podemos imaginas então os sentimentos de nação ou o significado de um bilhão de seres vivos em um com os seus sentimentos de amor.

Uma das grandes dificuldades deste tema é que a aproximação requer a utilização de metáforas e outras figuras poéticas que, muitas vezes produzem erros de interpretação, sobretudo, com o passar do tempo.

Assim, poderíamos dizer: “Sinto, logo existo.”

Em fim, arriscando extralimitar-me no meu objetivo, eu diria que temos uma natureza dual (desde logo, não sou o primeiro). Numa, não existimos no sentido clássico da expressão e, na outra, existimos numa dimensão desconhecida para a nossa lógica.

Outra forma de expressar esta ideia seria falar da descontinuidade temporal e espacial da existência.

Com estas linhas não pretendo revelar o mistério da vida ou existência do ser metafísico, mas sim apontar algumas considerações pessoais, acrescentando um grãozinho de pólen à fertilidade da ciência.

 

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