2.c) A liberdade dos seres vivos

A anterior concepção da Vida e, consequentemente, a origem dos seres vivos pode ser interessante no âmbito pessoal, mas não é relevante em si mesma para a exposição da Teoria Geral da Evolução Condicionada da Vida, na sua parte científica, nem para a sua demonstração.

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"Um grupo espanhol descreve a forma mais simples de vida.
Quantos genes fazem falta para sustentar a vida? Talvez bastem 395...
.... Buchnera era uma bactéria de vida livre muito parecida à Escherichia coli, o mais comum dos micróbios do intestino humano. As comodidades da vida simbiótica fizeram-na perder desde então 85% dos seus genes...
.... Buchnera está agora a meio caminho entre uma bactéria e uma componente integral das células do pulgão."

El País 19-03-2001. Proceedings of the National Academy of Sciences.

A título de exemplo, citar a possibilidade de que a energia ou a própria gravidade sejam a origem dos seres vivos e tenham determinados graus de liberdade. Estes poderiam ser tão pequenos que não dispúnhamos de meios para percebê-los ou que, se os percebemos, o nosso modelo não chegue a explicá-los. Não temos outro remédio se não incluir, no correspondente modelo de comportamento científico, componentes aleatórias derivadas dos céus da ciência Acaso.

Um exemplo algo mais próximo em relação à evolução e características dos seres vivos, nós humanos também não percebemos o sofrimento ou sentimento negativo das plantas quando morrem, e é de supor que elas não gostem nada, como a todo o ser vivo que se preze.

Poderia indicar igual comentário em relação a animais muito pequenos.

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"Etologia.
Alguns animais mostram comportamentos democráticos em grupo.
Quando os veados se põem de pé e as abelhas dançam não estão simplesmente esticando as pernas ou indicando onde está o néctar, segundo um novo estudo. Por estranho que pareça, estão votando se mudar-se para pastos mais verdes ou para flores mais saborosas. O processo é inconsciente afirmam os cientistas..."

El País 26-02-2003. Nature.

No entanto este conceito da vida foi de grande utilizada para mim, pela generalização do conceito, ao permitir à mente pensar nas características do sistema evolutivo em conjunto, nos seus objetivos, etc. com um maior grau de confiança na lógica aplicada; em definitivo, pensar Que faria eu no seu lugar?, e imaginar que, claro, a Vida terá feito tudo o que eu possa pensar ou intuir e muito mais.

A referida elaboração do conceito de Vida permitiu-me, de um ponto de vista pessoal, superar definitivamente posições filosóficas em relação à especialidade humana e à evolução do homem com um conteúdo puramente egocêntrico, ou puramente de reducionismo biológico. Principalmente, por situar o debate num âmbito mais geral.

De um ponto de vista científico ou filosófico, o ser humano é mais um ser vivo, com caracteres especiais ou particulares, mas com as mesmas características gerais dos seres vivos e intrínsecos à Vida. Em concreto refiro-me a posições como:

  • O homem é o único ser racional (Platão - Aristóteles)

  • É o animal político (Aristóteles)

  • O único que possui o dom da linguagem.

  • O único que fabrica (não utiliza) instrumentos (Paleontologia)

  • O único que transmite a sua cultura (Condutismo - aprendizagem por contraposição ao instinto)

  • A natureza ou o cosmos encontram-se regidos por leis necessárias e só o homem tem liberdade.

  • O homem é um animal e, nesse sentido, tudo é instinto, ou seja, o pré-determinismo biológico, em certa medida, consequência da contribuição de Darwin (Inatismo)

Este último aspecto parece esquecido tanto pelo etnocentrismo e o relativismo cultural como pelo universalismo, pois todos eles se referem ao ser humano com características especiais, mas não delimitadas suficientemente em relação ao resto dos seres vivos.

Apesar desta teoria filosófica sobre a vida que, em última instância, levaria a supor que todos os seres são seres vivos; continuarei utilizando a definição de seres vivos como animais e plantas, uma vez que um termo útil ao falar de genética e é o uso normal do mesmo.

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"Na maioria das provas (realizadas por casais) em que não se produz um intercambio serviço/pagamento ajustado às regras da justiça, dos primatas quebram o baralho... Por vezes, rebelam-se lançando ao ar o objeto da prova ou o troféu recebido"

El País 18-09-2003. Nature.

 

2.c.1. Filosofia e teoria do vitalismo

2.c.1.a) Filosofia e teoria do Vitalismo

Se tivesse que buscar uma corrente de filosofia que sustente ou coincida com a base da Evolução Condicionada diria que a mais adequada seria a teoria do Vitalismo.

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"Avanço científico e sociedade.
.... Isto é, que os genes individuais em cada célula são elementos periféricos que seguem o ritmo da totalidade do sistema e, contudo, cada um é responsável de decisões integradoras...
Sistemas viventes.
Talvez seja uma especulação demasiado futurista, mas acho que vale a pena considerar como poderíamos utilizar os princípios do processamento da informação genética que estamos aprendendo a partir do estudo de sistemas biológicos complexos"

El País 26-11-1992. Eric H. Davidson

Os sistemas de impulso vital seriam os que, por um ou outro motivo, comportam-se como se fossem seres vivos ou, pelo menos, têm muitas das características principais dos mesmos.

Nós, animais superiores, podemos ser considerados como macro-sociedades simbióticas de unidades mais elementares com vida própria, como as células.

A problemática está relacionada com a que se apresenta ao estudar a estrutura cerebral e as funções cerebrais pelo grau de complexidade. As correntes de modularidade e conexionismo no cérebro supõem duas aproximações filosóficas que bem poderiam ser complementares.

Por ordem de proximidade intuitiva, podem citar-se os seguintes tipos:

  • O primeiro tipo de sistemas de impulso vital estará formado por aqueles cujos componentes são por sua vez, seres vivos (nação, estado, colmeia, ecossistema).

  • Outro tipo será formado pelos sistemas consequência da atividade de grupos de indivíduos com uma finalidade particular, os protagonistas individuais não seriam, portanto, os indivíduos, mas sim o objeto particular das suas ações (mercados econômicos de produtos).

  • Sistemas com uma dinâmica própria e derivada de qualidades parciais dos indivíduos (idiomas).

  • Qualquer empresa, trabalho ou objetivo a médio prazo que se proponham os seres vivos e, neste sentido, pode entender-se que as relações e condições na hora de desenvolver e conseguir o objetivo conformam um sistema de impulso vital (a evolução dos computadores, um programa de computador, a construção de uma casa).

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    "Cientistas britânicos conseguem o sexo de dois vitelos.... A nova técnica, para além de cara, já que implica fertilização in vitro, não é aplicável aos seres humanos, apressaram-se a dizer os cientistas"

    El País 10-01-1993.

  • Determinados sistemas próprios da matéria, sem intervenção dos seres vivos, na medida em que a sua dinâmica interna seja suficientemente semelhante à dos seres vivos, considerar-se-ão sistemas de impulso vital (furacões, correntes marinhas, vulcões, galáxias, motores). Estes modelos são objeto típico da teoria do caos.

 
 

2.c.1.b) Vitalismo e características dos seres vivos

As características comentadas anteriormente serão mais ou menos identificáveis, mas de alguma maneira estarão presentes todas elas. De fato, mais do que características dos sistemas de impulso vital poderia dizer-se que a teoria do vitalismo define as características dos seres vivos em sentido amplo.

Também podemos distinguir entre características básicas e características derivadas dos objetivos que todos os sistemas de impulso vital hão-de ter. Estes também podem estar mais ou menos presentes ou manifestar-se com maior ou menor força.

Esqui aquático
Esqui aquático

Os sistemas de impulso vital deverão ter as características básicas:

  • Devem dispor de um sistema de decisão que lhes permita escolher entre diferentes opções para conseguir o seu objetivo ou finalidade. Isto implica, por um lado, a existência de graus de liberdade no sistema e, por outro, uma inteligência operativa.
  • Estas opções serão tomadas em função da informação disponível, para o que será necessária a existência de um arquivo, que fará parte do sistema.
  • A bondade ou boa-fé do sistema pode supor-se “a priori” e, seguramente, tê-la-á sempre “a posteriori”.

O sistema tem de ser um um sistema finalista, ou seja, com objetivos. Ainda que estes não se possam determinar claramente, sempre se deverá tentar identificar tanto os objetivos intermédios deste tipo de sistemas evolutivos como os métodos, processos e instrumentos particulares para a sua realização. Estes objetivos serão:

  • Melhoria da eficácia.
  • Garantia de segurança.
  • Coerência e compatibilidade interna.
  • Otimização dos recursos.

Na medida em que um sistema cumpra as características básicas e sejamos capazes de identificar um conjunto suficiente destes elementos derivados, podemos dizer que o sistema se comportará como se tivesse um verdadeiro impulso da Vida.

Como métodos práticos de identificação destes sistemas se podem citar os dois fatos seguintes:
  • Muitos dos sistemas que se podem descrever e delimitar conceitualmente de acordo com as propostas da teoria do caos, em princípio, poderiam entrar nesta categoria de sistemas de impulso vital.
  • Outra forma indireta de identificar os sistemas de impulso vital pode ser a obtenção de gráficos relativos ao seu comportamento ou evolução com a forma típica dos fractais. Não seriam de estranhar que se a forma fractal tem certa forma de ponta de flecha, a interpretação desta forma nos desse algumas pistas sobre a finalidade ou objetivo do sistema.