María José T. Molina

Teoria Cognitiva Global

A VONTADE,
E A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Emoções e sistemas de controlo

Cada pessoa tem o seu próprio sistema de equilíbrio dinâmico para a tomada de decisões, com os seus sistemas peritos e sistemas de controlo particulares. As emoções e os vícios da vontade.

3. Sistemas dinâmicos com múltiplos equilíbrios

3.a) Sistemas peritos

O processo de decisões humano configura-se como um sistema complexo, seguramente um dos mais complexos que existem, no que influem inúmeras variáveis de caráter tanto estrutural como conjuntural ou ambiental.

Da mesma forma que os países não têm o mesmo sistema político, cada pessoa tem o seu próprio sistema de equilíbrio dinâmico para a tomada de decisões, com os seus sistemas peritos de controlo particulares.

Dentro das variáveis estruturais, podemos citar:

  • Diferenças nos sistemas de informação da realidade física externa.

  • Distintas dotações de capacidades que influem na elaboração de construções abstratas, dito de outra forma, no desenvolvimento dos sistemas expertos e sistemas de controlo.

  • Vias evolutivas alternativas em relação à ponderação dos elementos nos diversos processos de decisão.

  • Resistência ou resposta à dor ou outras mudanças.

O aspecto mais relevante, para aquilo que aqui nos interessa, é o caráter diretamente executivo das decisões adotadas. Dependendo das circunstâncias ou contexto, o modelo de tomada de decisões utiliza um processo ou outro; e inclusivamente se a mudança de processo implica uma mudança na decisão, ainda que seja consciente da mudança, normalmente executar-se-á a nova decisão. Ao fim e ao cabo, para isso se tomou.

Convém sublinhar que a mudança de operativa no processo de tomada de decisões se produz automaticamente, ou seja, sem controlo por parte do consciente. De fato, a complexidade do funcionamento do sistema dinâmico global seguramente é demasiado grande para ele.

No entanto, o que podemos fazer é controlar as condicionantes principais do sistema dinâmico de maneira a garantir o funcionamento adequado dos sistemas de controlo e lhe proporcionemos a estabilidade desejada, sem esquecer que a flexibilidade é boa e daí a sua existência e que as exceções sejam necessárias como as que provocam o aparecimento das emoções.

Entre estas condicionantes podem assinalar-se a água e os alimentos de que dispõe o corpo. São óbvios, mas não por isso menos importantes! Todas as pessoas conhecem o efeito benéfico das vitaminas das frutas e logo…! Talvez não se tenha explicado com a clareza suficiente.

Também se encontram dentro desta categoria, ainda que com um efeito mais lento e acumulativo, a falta de sono e de desporto ou exercício físico.

 

3.b) Emoções  

O conhecimento das nossas próprias emoções e a sua influência nos processos de tomada de decisões ajudar-nos-á, quando necessário, a entender o porquê de algumas mudanças nas decisões previamente tomadas.

De onde fazem as emoções vieram?  De onde fazem as emoções vieram?

Especialmente, convém identificar os estados de ansiedade e irritabilidade porque é muito provável que, então, o processo de decisão se situe entre os sistemas forçados por vícios da vontade.

Uma das características dos sistemas de equilíbrio dinâmico é que frequentemente são sistemas com equilíbrios múltiplos. Ou seja, inclusivamente com todos os seus parâmetros iguais, o equilíbrio pode ser diferente em função do caminho seguido para chegar ao mesmo; no nosso caso, o equilíbrio será indicado pela decisão tomada.

Esta característica é de extrema importância pois podem produzir-se emoções que provocam situações de grande perigo ao tentar sair de um sistema forçado; podia ser o caso típico de reações incontroladas quando se está a tentar abandonar o consumo de drogas duras.

Menos perigoso, mas mais comum, é o caso do abandono do tabaco no qual o que se produz é um marcado estado de ansiedade e irritabilidade com a instabilidade emocional que implica para muitos tipos de emoções.

Em todos estes casos, o mínimo que se pode fazer é tentar controlar as emoções mediante o controlo das condicionantes principais mencionadas, para que o sistema dinâmico volte a uma relativa normalidade e as emoções não se produzam de uma forma um tanto artificial ou não desenhada.

O que, por outra parte, me parece perigoso é o manejo das emoções visto que esse manejo das emoções pode alterar a sua função natural.

 

3.c) Esquizofrenia 

Seguramente o transtorno mais conhecido e comum do sistema de decisões é a esquizofrenia.

Todos, em alguma medida, temos certo grau de esquizofrenia, a meu ver é bom e natural. O problema aparece quando o grau de esquizofrenia aumenta de forma importante e incontrolada.

Queria incluir um breve comentário no sentido de que uma das causas principais deste tipo de comportamento do processo de tomada de decisões pode ser, independentemente da conhecida predisposição hereditária ou genética, o fato de querer compreender coisas ou aspectos da vida que são realmente impossíveis porque não dependem da lógica mas sim das emoções próprias e sobretudo alheias, ou ainda mais grave, da particular lógica alheia.

Mais ainda: muitas vezes o erro consiste em tentar solucionar um problema que não é problema e além disso não depende de nós. Para dar um exemplo simples e bastante infantil mas que se repete ao longo da vida de mil e uma formas:

“Eu tenho as mãos atrás das costas e pergunto: Em que mão tenho um caramelo? Depois, a única coisa que tenho que fazer é pôr o caramelo na mão contrária à que alguém escolheu”.

Ou seja, é um jogo em que a pessoa que pensa e responde não ganha nunca, é um falso dilema, podemos forçar o cérebro tanto quanto queiramos mas não conseguiremos nenhuma solução satisfatória.

É uma tentativa de compreender uma coisa que nos resiste, às vezes podemos tentar situar-nos em posições iniciais diferentes, com diferentes preconceitos, forçando o nosso cérebro a examinar diferentes pontos de vista ou perspectivas.

Se o fazemos com suficiente intensidade e tempo o que estamos a fazer é comprometer o processo normal de tomada de decisões do cérebro de tal forma que mudamos o desenvolvimento do sistema e não só se converte num processo automático fora do nosso controlo consciente, mas também tende a modificar a nossa dotação genética relacionada com estes processos, dado que parece bastante flexível (a meu ver, claro está), possibilitando a transmissão do problema à nossa descendência.

Logicamente, uma pessoa que se considere bastante inteligente terá tendência a tentar compreender as situações mencionadas e por isso poderá haver certa correlação estatística entre inteligência e esquizofrenia. O que está comprovado é que existe correlação entre esquizofrenia e níveis baixos de inteligência.

Talvez este efeito fosse maior em pessoas com problemas relacionados com a dislexia, visto que a memória recria diferentes pontos de vista pelo seu funcionamento, se não defeituoso, sim limitado e também tem quando menos algumas conotações genéticas.

Em relação à genética da esquizofrenia, convém recordar que a concordância entre gêmeos idênticos ou monozigóticos para a esquizofrenia é de 0,69 o que nos indica que tem um marcado caráter genético enquanto que nos gêmeos não idênticos ou dizigóticos é de 0,10.

Este dado proporciona-nos duas ideias, a primeira que não parece que a informação genética esteja concentrada num só cromossoma e, a segunda, que, ou é necessária a presença de vários “genes” para o desenvolvimento efetivo destes processos, ou então os genes portadores não são significativos no sentido de “dominantes” ou as duas coisas juntas.

 

 
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