3. Inteligência elegante e gestão do conhecimento

Neste ponto vamos estudar o comportamento ou funcionamento da inteligência relacional ao produzir respostas ou conclusões sobre a base de determinada informação, seja de procedência exterior, interior ou mista.

Este comportamento reflete uma clara finalidade de otimização da eficácia dos processos como se se tratasse de uma inteligência competitiva.

3.a) Funções automáticas ou inconscientes

San Diego (Imagem de domínio público)
San Diego
  • Os preconceitos e as emoções

Os preconceitos não são, de forma nenhuma, negativos em si mesmos, pelo contrário, são necessários para evitar a repetição de pensamentos e raciocínios mentais constantemente; precisamente pela sua função, os preconceitos podem atuar como um verdadeiro limite do conhecimento ou da sua inovação.

O cérebro humano quando desenvolveu uma ideia suficientemente e chegou a uma conclusão incorpora-a na memória para não ter que repetir todo o processo. Normalmente os preconceitos mais importantes incorporam-se na memória imediata todos os dias, formando na realidade uma parte importante do que se denomina “ o caráter de uma pessoa”.

Em matéria informática, os preconceitos podiam assimilar-se a enlaces diretos, associação de arquivos ou outros mecanismos semelhantes.

Uma das primeiras características que ressaltam dos computadores é a sua capacidade para repetir ou executar instruções previamente gravadas, o seu automatismo; mas para isso necessitam da existência de um programa e da sua incorporação em memória.

O cérebro humano é muito mais potente que qualquer computador actual, mas tambén necessita da existência de programas previamente desenvolvidos e da sua “incorporação na memória operativa ou imediata” para poder atuar. De certa forma são semelhantes aos preconceitos, mas de caráter funcional e, normalmente, serão programas ou funções pequenas ou conjunto dos mesmos.

Vejamos alguns exemplos muito comuns:

  • Conduzir um carro

    Quando não estamos a conduzir, o conjunto de conhecimentos e experiências sobre conduzir estão gravados no nosso cérebro, mas não se encontram ativos, ao entrarmos num carro ativar-se-ão ou tornar-se-ão mais conscientes ou incorporar-se-ão na memória operativa, este processo será muito mais intenso se nós tivermos sentado no assento do condutor.

  • Segurança pessoal

    Outro exemplo esclarecedor pode ser a diferença em relação ao controlo do nosso entorno próximo dependendo se estamos relaxados ou não. No caso de problemas de segurança incorporar-se-á um programa de segurança que afetará o funcionamento dos sentidos e a capacidade de resposta rápida de grande parte dos músculos do nosso corpo; claro que não nos estamos a referir ao efeito que produz a adrenalina.

  • Línguas e linguagem ativa

    As pessoas que falam línguas sabem perfeitamente que quando não se pratica uma língua se perde muitíssimo, mas que se recupera milagrosamente com um pouco de prática adicional; este efeito é muito mais acentuado quando se fala mais de uma língua estrangeira porque tendem a substituir-se dada a capacidade limitada da mente, que não pode manter ativos tantos conceitos e estruturas gramaticais diferentes.

    Parece razoável supor que o cérebro carrega todos os dias quando acordamos os programas ou dados que sabe que vai utilizar ao longo do dia.

    Seguindo a mesma lógica, o conjunto de palavras que habitualmente estará em relação direta com o nosso potencial médio. Ou seja, na medida em que se foi desenvolvendo o nosso cérebro, o número de palavras de uma língua foi aumentando.

  • Emoções

    Abundando na mesma lógica funcional, colocará outros programas de reação urgente num lugar especial para o seu rápido reconhecimento como parece ser uma das funções da parte do cérebro humano Tálamo, que controla as emoções; entendendo por emoções as reações bioquímicas perante certos estímulos independentemente dos sentimentos que as possam acompanhar.

Naturalmente os programas têm que ser previamente desenvolvidos e com cada nova experiência enriquecem-se e aperfeiçoam-se, por outras palavras, evoluem. Tal como um programador vai aperfeiçoando a sua obra até conseguir um nível determinado.

A potência do cérebro aumenta consideravelmente com esta automatização, a velocidade de resposta será muito superior por duas causas.

A primeira, porque a informação de entrada se coloca diretamente nos campos preparados dos subprogramas ou funções e depois de recebidos todos os dados, dispara automaticamente a operação concreta.

A segunda, porque bastam umas poucas respostas do sistema para validar a saída ou resultado da operação. Neste sentido a rapidez pode ser semelhante ou inclusivamente superior ao das respostas ultra-rápidas do gestor da linguagem.

Além dos exemplos do apartado anterior, podem indicar-se outros em que se podem perceber com facilidade estes processos:

  • Mecanografia

    Um caso curioso de constante melhoria dos programas é o de quando alguém está a aprender a escrever à máquina e deixa de o fazê-lo durante algum tempo, ao continuar com a aprendizagem depara-se com uma agradável surpresa: em vez de ter piorado com a inatividade, melhorou. Isso se deve a que o cérebro humano e as células em geral, dedicam uma grande parte da sua vida à reordenação, simplificação, racionalização e melhoria sem que o nosso consciente se aperceba.

  • Sonhos

    Também examinamos, ao falar da otimização do funcionamento do cérebro, a função de parte dos sonhos que temos.