M O L W I C K
  

María José T. Molina

Teoria Cognitiva Global

A VONTADE,
E A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

A tomada de decisões

O processo de tomada de decisões da vontade e as suas etapas. A Origem dos desejos, ideias e pensamentos nas células. Reflexões e pensamentos do cérebro.

2. A tomada de decisões

Um dicionário define a vontade como “f. Potência da alma em cuja virtude tendemos em sentido positivo ou negativo em relação aos objetos propostos pelo conhecimento intelectual” ou “Livre arbítrio ou determinação.”

Existem outras acepções do termo vontade, mas são as anteriores as que nos interessam por manifestarem o seu caráter essencial, ser uma qualidade que, em definitivo, supõe a expressão ou exercício da liberdade interna de todo o ser vivo. Alguns autores como Schopenhauer atribuem vontade ao ser humano, aos animais, às plantas e inclusivamente às coisas.

Recordemos que para a Teoria Geral da Evolução Condicionada da Vida – TGECV “a característica essencial da Vida é a Liberdade”. Ainda que normalmente fale do ser humano por ser mais cômodo, a TGECV também atribui a liberdade que proporciona a autonomia da vontade às coisas, ainda que os humanos não sejamos capazes de detectá-la. Não deixa de ser um tema de filosofia da Vida.

Nos processos de tomada de decisão ou de formação da vontade têm influência elementos internos e externos ao indivíduo. Os presentes comentários referem-se aos fatores internos ao processo de tomada de decisões, sem que se pretenda um estudo pormenorizado em nenhum momento.

Na realidade, trata-se de estender a argumentação sobre o funcionamento da inteligência e da memória aos processos de criação da vontade com o objetivo de conseguir uma melhor caracterização da nossa própria natureza.

Em primeiro lugar, examinarei as etapas do processo de tomada de decisões num sentido amplo. Depois realizarei algumas pontualizações sobre a complexidade dos modelos de tomada de decisões, que nos permitirão abordar com maior facilidade o espinhoso tema do sujeito ativo da força de vontade.

2.a) Origem dos desejos, ideias e pensamentos 

Muitas vezes, para não dizer todas ou quase todas, desconhecemos a origem dos nossos desejos, ideias ou dos nossos próprios pensamentos. Não digamos já, dos nossos sentimentos!

Independentemente do comentado sobre os pensamentos num segundo plano, é como se existisse um sistema de recolha de ideias e a que tem mais votos ou é apresentada com maior intensidade é a que seleciona o cérebro para estudar e desenvolver.

Alice no País das Maravilhas
(Imagem de domínio público)  Alice no País das Maravilhas

Suponhamos que uma célula sente a conveniência ou necessidade de dispor de mais água, o corpo proporciona-lha com os mecanismos adequados, mas, quando forem muitas as que peçam água, começará a escassear e um desejo de beber água irá aparecendo pouco a pouco. Este desejo tornar-se-á consciente num determinado momento, dependendo de outras prioridades que possa ter o consciente. Para nós, todo este processo permaneceu oculto!

Com tudo isto, o tema é mais complicado do que parece à primeira vista; por exemplo, os fumadores podem sentir desejos de fumar em vez de beber água perante a mesma sensação inicial.

No mundo das ideias, acontece-nos o mesmo, de repente iniciamos uma série de reflexões sobre um tema, mas não sabemos exatamente quando e porquê. Se pensamos no assunto com atenção, com sorte, poderemos chegar a adivinhá-lo.

Algo semelhante, mas não igual, acontece no terreno mais escorregadio das emoções, por exemplo, as gargalhadas e as lágrimas aparecem normalmente sem um controlo direto da nossa parte. Podemos tentar ou alcançar que se causem, mas de forma indireta, reproduzindo as condições que as provocam.

 

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