2.b.3. Velocidade e conceito de tempo

A definição ou o conceito de tempo em filosofia abarca não só diferenças na percepção do tempo absoluto ou objetivo, mas também diferenças na dimensão do tempo pessoal.

Como comentei nas páginas anteriores sobre o que é o tempo, de certa forma a visão desta nova teoria do tempo pode confundir-se com o conceito de tempo da acepção subjetiva dos conceitos clássicos do tempo, mas, neste caso, não se trata de diferenças na percepção do tempo absoluto ou objetivo, mas sim de diferenças reais na velocidade do tempo pessoal, digamos.

O certo é que para a maioria das pessoas não existe nenhuma diferença entre uma realidade ou outro visto que ambas são de caráter interno ao indivíduo; o interessante desta maior definição de tempo reside em que nos acontece o mesmo a nós e por isso é bom distinguir, supondo que seja uma distinção correta.

Vejamos alguns exemplos concretos que quase todos conhecemos sobre a importância do amor na teoria e filosofia do tempo:

  • Cai a faca.

    Neste caso, observa-se com muito maior nitidez a mudança na linha do tempo, velocidade do tempo em relação ao tempo absoluto ou objetivo ou a sua aceleração ou desaceleração. Já não se trata de evitar que se quebre o copo, mas sim de evitar que nos machuquemos ou que alguma das nossas células morra violentamente.

    O que é relevante do ponto de vista da filosofia do tempo é a mudança na velocidade do tempo pessoal e claramente provocada pelo amor à ponta da faca, ao chão e às nossas próprias células e...

    No entanto, apesar de afetar o próprio conceito de tempo, que eu saiba ninguém propõe alterar nenhum relógio; nem que quando a faca cai ao chão a pessoa se encontre num ano, semana ou milissegundo diferente do resto dos mortais. Talvez se possa argumentar em filosofia do tempo que essa pessoa é um pouco mais velha do que o que deveria ser sem o acontecimento da faca. Onde se encontrariam as fórmulas físicas neste caso?

    Claro que normalmente, do ponto de vista externo ou objetivo, o que se costuma dizer é que uma coisa foi demasiado utilizada ou que uma pessoa teve uma vida difícil.

    Variação da
    velocidade do tempo
    Faca de uma esponja
  • Perigo imediato de morte.

    Quando acontece um acidente, por exemplo uma queda ou um acidente de carro, no início altera-se a velocidade do tempo subjetivo, a percepção do tempo absoluto ou as duas coisas. Se se observa um perigo de morte, por vezes produz-se um bonito fenômeno muito curioso.

    Vê-se como num filme as sequências da vida de uma pessoa, produz-se por ordem cronológica, desde a infância até ao presente, e as imagens refletem com detalhe muitas das etapas ou momentos mais felizes ou com maior presença do tempo de amor.

    O mais incrível é que tudo durou talvez uma décima de segundo e parecia que o filme incluía a vida toda. Uma reflexão filosófica sobre o amor e a definição de tempo é inevitável.

    Esta atividade produziu-se à escala emocional, num nível muito essencial do ser. A velocidade do tempo subjetivo aumentou e muito; se nós fôssemos a luz (alguém disse aparentemente como metáfora e eu interpreto-o como realidade ou algo parecido) pergunto-me se se poderia dizer que a sua velocidade tinha diminuído (por serem conceitos inversos a velocidade do tempo e velocidade do espaço ou velocidade normal), e assim manter intacto o pensamento ou modelo intuitivo sobre os conceitos de espaço, tempo e velocidade.

    A causa deste fenômeno físico é evidente, mas não a sua finalidade. Ocorrem-me duas possibilidades: ou como despedida e reviver tudo uma última vez, ou como preparação do que cada um quiser levar para o outro mundo. Eu penso que a segunda é mais provável pela sensação que temos e pelo grande conteúdo do filme e a sua perfeita ordem cronológica.

  • A borbulha do interesse.

    Outro caso de variação da linha do tempo ou relatividade do tempo e também do espaço é que por vezes parece que o espaço se reduz a uma redoma ao nosso redor e que só somos conscientes do que se passa dentro da redoma..., mas que tipo de consciência!

    O que se recorda claramente é a redoma; a velocidade do tempo subjetivo vê-se alterada, mas não sei muito bem em que sentido, poderia ser que o tempo sofresse fortes acelerações e desacelerações. Também poderia dever-se a que sofra uma constante aceleração normal ou com um vetor unitário em direção ao centro da borbulha que não é normal.

  • Fazendo amor.

    Sobre esta agradável atividade podem dizer-se muitas coisas, mas aqui interessa-nos ressaltar este fato que se produz em determinado momentos e que consiste na perda da noção do tempo. Não é surpreendente que seja precisamente este exemplo sobre o amor o que produz o efeito mais claro e intenso sobre a velocidade do tempo subjetivo.

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    Convém sublinhar que quer sejam diferenças nas percepções do tempo absoluto ou objetivo ou sejam variações reais da velocidade do tempo subjetivo, a realidade objetiva não se vê alterada em nenhum momento, se se passa de uma velocidade do tempo de 1 a 2 s/m é totalmente equivalente do ponto de vista matemático a passar de uma velocidade normal de 1 a 0,5 m/s.

    Quando digo realidade objetiva não pressuponho que exista como tal, é suficiente que exista como convenção abstrata. Neste sentido, se o tempo e o espaço como conceitos objetivos e abstratos são absolutos, então qualquer variação da relação entre o espaço e o tempo terá que ser imputada a uma variação da velocidade, cuja definição é precisamente a relação entre espaço e tempo. No caso de necessitar criar novos conceitos físicos, penso que seria conveniente utilizar novas palavras para não nos confundirmos demasiado.

    Por outro lado, também se poderia confundir o novo conceito do tempo com a definição de tempo relativista da ciência da Física Moderna, uma vez que pretendeu explicar a relatividade do tempo incluída nas suas equações matemáticas com exemplos sobre as percepções do tempo nos apaixonados ainda que, depois, nas fórmulas não se veja nenhuma relação com os mencionados apaixonados: Talvez se refiram a um tipo de amor grego num tempo pitagórico desconhecido até à data.