M O L W I C K
  

María José T. Molina

TGECV

TEORIA GERAL DA EVOLUÇÃO
CONDICIONADA DA VIDA

Teorias da origem da vida

Conceito de vida e filosofia, teorias sobre a origem da vida. Filosofia do amor, uma aproximação metafísica ao conceito amplo da vida.

II.2. Filosofia da vida

As teorias sobre a origem da vida não se encontram nos limites do conhecimento, mas sim nos limites da filosofia. O significado e conceito da vida é o desafio mais difícil e direto que se pode colocar a qualquer corrente filosófica.

Quando pensei na explicação da Teoria Geral da Evolução Condicionada da Vida com maior detalhe pensei, ao princípio, em não entrar em temas filosóficos, porque não era o objetivo principal. Contudo, mudei de opinião, pelo menos em parte, porque poderia ficar um pouco no ar a concepção global da teoria evolutiva e porque, no fundo, é um prazer e é difícil resistir quando o guião o requer. E a filosofia da vida e as teorias da origem da vida são um tema apaixonante.

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No tema da filosofia da vida, cabem, pelo menos, duas aproximações complementares de caráter filosófico: a lógica e a metafísica ou mística.

A primeira é a utilização da lógica a partir da definição de vida do dicionário e a análise do seu conteúdo e a sua relação com o ser humano e os seres vivos; tratando de procurar a origem da vida ou o que se poderia chamar a essência da vida ou Vida com maiúsculas.

É interessante recordar que as teorias sobre a origem da vida e a própria definição de vida, do ponto de vista da ciência, foram mudando com o desenvolvimento da mesma e, portanto, convém distanciar-se um pouco do momento científico concreto para chegar a um conceito mais permanente no tempo.

Depois, uma aproximação direta, desde o interior de si mesmo, onde as palavras não contam, onde o pensamento é tão rápido que o percebemos só como sentimentos, aqueles sentimentos puros que não necessitam da lógica porque são coerentes em si mesmos.

II.2.a) Aproximação lógica e conceito amplo da vida 

O Dicionário Geral da Língua Portuguesa proporciona-nos numerosas acepções da palavra vida, em justa correspondência com os múltiplos usos da mesma. Seria excessivo comentá-las todas, pelo que nos ficaremos pelas mais relevantes:

  1.  f. Força interna substancial mediante a qual obra o ser que a possui.

  2. Caráter que distingue os animais e os vegetais dos restantes seres e se manifesta pelo metabolismo, crescimento e adaptação ao meio ambiente.

  3. União da alma e do corpo.

  4. Existência da alma depois da morte.

Dado que a palavra ser aparece nas duas definições, em seguida apontam-se as duas principias acepções da mesma:

  1.  m. Essência ou natureza.

  2. Ente (que existe).

A primeira definição de vida, como o próprio dicionário indica, é de caráter filosófico e parece-nos praticamente perfeita. Deste ponto de vista, como não se pode saber a ciência certa que seres têm essa força interna e que seres não têm, limita-se a assinalar “... o ser que a possui”.

Na segunda, desde a óptica da ciência, o conceito restringe-se a animais e plantas, estes são os únicos seres que o homem conhece pela sua percepção, tanto direta como através de instrumentos, que possuem essa força. A ciência, se não tem provas, restringe os conceitos; pelo contrário, a filosofia necessita de provas para poder reduzi-los.

Esta segunda acepção do dicionário mostra-nos a clássica definição de “Caráter que distingue os animais e os vegetais... e adaptação ao meio ambiente”, na qual voltamos a encontrar a influência da teoria da seleção natural. No fim de contas, se não estamos já, acabaremos por estar super adaptados!

Esta filosofia da adaptação “como verdade científica” da evolução da vida é verdadeiramente muito conveniente para o Sistema; em definitivo, o que têm que fazer os indivíduos é adaptar-se ao mesmo, não faz sentido tentar mudá-lo. Mais ainda, as outras correntes de pensamento sobre a evolução genética são acusadas de se sustentarem em ideologias pouco menos que detestáveis: racistas, xenófobas, etc. Realmente, é difícil fazê-lo melhor do ponto de vista de um sistema estabelecido!

Talvez fosse mais bonito e acertado é dizer, simplesmente, que “os animais e as plantas se desenvolvem e tentam melhorar”. Neste desenvolvimento e tentativa de melhoria estariam implícitas as ideias de “... em função do meio ambiente...” e a de “... para ampliar a independência em relação às restrições do meio ambiente”.

Se se examina este ponto com atenção, num primeiro momento parece que “evolução por adaptação ao meio ambiente” e “evolução condicionada” -pelo meio ambiente- são equivalentes. Apesar da aparência, a diferença é importante, ainda que tenham elementos em comum, a primeira incide na adaptação para sobreviver, e essa é a causa da evolução; pelo contrário, a segunda incide em viver e melhorar para ser independente de ou reduzir e superar as restrições que impõe o meio ambiente. Além disso, a segunda refere-se também a outro tipo de condicionamentos lógicos.

Por outro lado, penso que se poderia delimitar mais o conceito mediante a enumeração de características associadas à Vida como condições necessárias e suficientes da sua existência. Estas, segundo todas as teorias da origem da vida, deveriam estar presentes na origem da vida.

NOTÍCIAS DA EVOLUÇÃO

 "Descoberta uma colônia de micróbios que vivem sem carbono.
...vivem a 200 metros de profundidade em águas termais, é o primeiro exemplo encontrado na Terra do que poderia ser a vida sob a superfície de outros planetas, em ambientes totalmente inóspitos, aonde não chega a luz solar nem existe carbono orgânico"

El País 2001 Nature.

As definições terceira e quarta falam-nos dos conceitos relativos à vida neste mundo “corpo e alma” e a vida do mais além “Existência da alma depois da morte” Sendo, portanto, de caráter religioso. Agora, a vida manifesta-se em animais e plantas mas não conseguimos localizá-la materialmente neles.

Seria muito mais plausível que tenha uma natureza semelhante à força, à energia e, como sabemos, a energia também se encontra em lugares diferentes aos animais e plantas. E a destruição do corpo não significa a destruição da energia que tinha!

Esta última consideração da vida como energia corresponde ao conceito amplo da vida. Consequentemente, é uma consideração de tipo filosófico porque não pode fornecer provas, em certa medida, partilhe a consideração religiosa, mas o seu suporte fundamental è científico porque, do ponto de vista estritamente lógico, parece-me o mais provável.

II.2.b) Metafísica e filosofia do amor 

A segunda aproximação ao conceito de vida e às teorias sobre a origem da vida é dada pela filosofia e pelas reflexões de carácter pessoal.

Quando nos perguntamos O que somos? Damo-nos conta de que não temos palavras adequadas porque as palavras como alma, espírito, etc. têm conotações externas de diversa índole, entram no campo da metafísica e da filosofia do amor. De fato, ao seria uma pergunta interior se fossem outros a responder. Então vamos aprendendo pouco a pouco no que pensa e no que escreve até que, por fim, de forma natural, surgem palavras, palavras que são só palavras mas sim poesia. Significando unicamente o que alguém sente nesse momento!

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Assim, começamos a devagar, a sentir a proximidade dos que viajam conosco no espaço e no tempo.. e tenta imaginar a Vida sem essas memórias, e dá-se conta que não teria sentido; a Vida sem inteligência e comprova que não teria sentido. A vida sem Amor ou sem esperança de Amor, e volta a sentir a falta de lógica.

Todas elas, pois, parecem condições internas, necessárias e suficientes para a Vida e, portanto, qualquer teoria sobre a origem da vida deveria ter em conta que esses elementos ou características estarão presentes desde o início.

Por outro lado, a origem de todas as características citadas escapam à explicação científica e recordam-nos isso a que se chama metafísica e filosofia, especialmente a filosofia do amor.

Incluiu a memória porque a memória sem um sistema interno que permita recuperar a informação não é memória mas sim arquivo. A inteligência porque é precisamente esse sistema interno que opera, entre outros, com conceitos arquivados na memória interior. E o Amor por que...

... características necessárias e suficientes como a existência do espaço, do tempo... Em qualquer caso, cada uma delas implica as outras, mas sempre me volta a aparecer outra, refiro-me à liberdade interna, à Liberdade.

É um tema típico de metafísica, mas isso não significa que não se possa argumentar e aproximar-nos dos conceitos. Para poder exercitar a Liberdade é necessário dispor de opções, estas opções têm de estar retidas na memória e deve dispor-se de um sistema de decisão, finalmente, decidir sem Amor...

A Liberdade e o Amor estão a um nível poético superior ao da memória e da inteligência, o Amor, sendo o principal, soa demasiado poético para uma caracterização da vida. Por isso prefiro resumir o conceito como: “A característica essencial da Vida é a Liberdade.”

Não obstante, da perspectiva da metafísica e da filosofia do amor, ou melhor, de um ponto de vista poético poderia dizer: “O primeiro conceito incluído na informação genética é o Amor”.

E porque não? Fazendo um pouco de poesia científica ou de metafísica pura dizer que “estivemos a falar da existência científica da Alma”.

Não será o amor mais real do que a própria realidade?

 

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