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María José T. Molina

TGECV

TEORIA GERAL DA EVOLUÇÃO
CONDICIONADA DA VIDA

Evolução humana

A evolução biológica do homem e a evolução humana são explicadas pela teologia, a filosofia e a ciência, principalmente com o criacionismo, o emergentismo e o vitalismo (essencialismo-evolucionismo)

II.1.b) Evolução humana

Outro aspecto que nos surgiu nos exemplos anteriores de evolução histórica é que a mudança de escala pode afetar os objetivos particulares de um sistema e que as variáveis relevantes são diferentes a curto e em longo prazo. Haverá que ter um cuidado especial ao falar da dinâmica interna em evolução biológica e evolução humana, visto que este conceito está inevitavelmente associado a um sujeito ou sistema e este pode mudar em função da escala em que nos movamos.

Recordemos que se citou, ao falar dos limites do conhecimento, o horizonte temporal e espacial como um fator que dificulta o raciocínio lógico ao atuar como limites de percepção inteligente.

Se à percepção pontual de um sistema dinâmico se lhe aplica o longo prazo, na sua evolução histórica podemos imaginar algo parecido a um filme com todas as percepções pontuais, dando-nos o efeito de que o filme tem dinâmica interna, porque efetivamente a tem; só que não é a dinâmica interna das mudanças individuais mas sim do próprio filme.

Talvez seja um efeito típico dos modelos em longo prazo o de evolução histórica, que a nossa mente humana tenha tendência a estudar, para não complicar um sistema já de si complexo, as mudanças ou evolução da percepção externa do modelo; ou seja, que tente realizar uma análise parcial ao não poder abarcar toda a problemática global do modelo.

A teoria da sele ção natural refere-se exclusivamente à eliminação dos novos seres e da sua descendência para a sua melhor adaptação; necessitando, consequentemente, dar um caráter aleatório ao resto das possíveis condicionantes ou elementos da evolução biológica e, ao mesmo tempo, do longo prazo da evolução humana, com todos os inconvenientes do mesmo, para que a sua dinâmica interna seja capaz de produzir efeitos semelhantes, em aparência, aos da evolução real.

Informação detalhada e gráfica sobre a história da evolução humana de diversas espécies ao longo dos últimos 150.000 anos e a sua expansão territorial pode-se encontrar na página da fundação Bradshaw.

O fenômeno de um estudo em longo prazo da evolução humana é parecido ao da mudança de escala. Citemos, em jeito de resumo, algum dos problemas que se colocam em maior ou menor grau ao analisar a evolução histórica:

  • Tende-se a perder a noção temporal no longo prazo e a noção de espacial numa escala diferente da humana.

  • A mudança devida às variáveis representativas nem sempre se efetua corretamente.

  • A mesma coisa se pode deduzir da dinâmica ou relações internas do sistema, do próprio sujeito ou sistema e dos objetivos particulares do mesmo.

  • Não só podem mudar as variáveis, como também as que se mantêm podem mudar de natureza. Por exemplo, uma variável discreta no curto prazo pode converter-se em contínua ao mudar de escala.

    Por vezes, quando se altera a referência espacial ou temporal de uma análise concreta da evolução humana e histórica, nem sempre se menciona explicitamente a referida mudança.

A genética encontra-se numa escala diferente à nossa e nas teorias sobre a evolução humana necessita-se a análise em longo prazo.

Vejamos graficamente como um modelo em longo prazo elimina a percepção das mudanças a curto prazo. A figura mostra um crescimento exponencial cuja razão é 1.25. Triplicando apenas o período de tempo consegue-se um efeito visual suficiente.

Crescimento exponencial
Comparação crescimento exponencial a curto e em longo prazo.

Imaginemos o efeito que produz um longo prazo que, por acréscimo, se considera indeterminado. Obviamente, o efeito consegue-se porque mudou a escala do eixo de valores, mas já vimos que em muitas análises também se produzem mudanças de escala. Para além de que é lógico que, na história da evolução humana, a escala de valores se tenha que mudar em longo prazo.

A pesar de ser consciente da mudança de escala e de saber que o crescimento é exponencial, não podemos deixar de pensar que, na segunda figura, apenas existe crescimento durante os primeiros 15 períodos. Convém assinalar que o crescimento exponencial é típico nos modelos sequência temporal e evolução histórica.

Outro problema mais é a capacidade para medir diferenças tão pequenas nos valores, quando a escala do mundo normal é a correspondente à do último período, sobretudo quando o outro extremo da evolução biológica do homem é a origem da vida.

NOTÍCIAS DA EVOLUÇÃO

 "... Ser humano e chimpanzé distinguem-se em pouco mais de 1% do genoma, só umas dez vezes mais do que a diferença própria entre dois indivíduos humanos. ... Estima-se que a diferença genética entre o ser humano e o chimpanzé reside em não mais de 400 milhões de nucleóditos (os elementos do ADN) de um total de 3.000 milhões..."

El País 20-02-2002

Em definitivo, não se quer dizer que não se possam realizar certos tipos de estudos ou análises, mas sim que há que reconhecer os limites da mente humana na hora de percepção inteligente de certas variáveis e relações e, portanto, colocar especial cuidado nas conclusões que de eles derivam.

Esta reflexão leva-os a estudar as implicações de entender a evolução humana só em longo prazo ou, melhor dito, da eliminação da evolução a curto prazo ao pensar na origem e evolução biológica do homem moderno. Esta implicação encontra-se geralmente aceite e de uma forma muito fixa nas pessoas, ao formar parte da ideia que temos de nós mesmos e da nossa espécie.

Citemos algumas das consequências e fatos mais relevantes da evolução biológica do homem que podem gerar confusão com uma interpretação errônea da evolução humana:

  • A capacidade intelectual do Homo Sapiens não mudou substancialmente durante os últimos 30.000 – 50.000 anos.

  • O controlo do fogo considera-se um grande salto evolutivo na evolução humana tendo em conta a capacidade cerebral dos primeiros humanos para o conseguir.

  • Outro grande dado da evolução humana para a sua pequena capacidade intelectual é a descoberta, seguramente por acidente, da roda.

    Escribas - Museu do Louvre
    Egito 2500 a.C. e 1450 a.C.   Escribas de Egito, 2500 a.C.  Escribas de Egito, ano 1450 a.C.

  • Apesar da capacidade mental humana, nos inícios da nossa espécie, não falamos muito nem construímos grandes estruturas gramaticais porque, ou para o que fazíamos não nos compensava perder tempo, ou porque tínhamos que esperar a que se desenvolvessem as nossas cordas vocais por modificações aleatórias da informação genética transmitida.

  • No antigo Egito, os humanos desenvolveram uma grande habilidade para a construção com as pirâmides, conseguindo que as paredes não pudessem cair com o passar do tempo. Por alguma razão são a única das sete maravilhas que continuam de pé!

  • Antes dos gregos, a filosofia e o desenvolvimento científico não nos interessavam, salvo honrosas exceções. Alguns destes últimos consideravam que a aplicação prática do conhecimento implicava rebaixá-lo e, portanto, devia manter-se unicamente no mundo das ideias.

  • Com a evolução humana dos romanos, graças à sua tecnologia, era bastante mais fácil construir aquedutos do que um canal fechado, uma vez que não nos tínhamos apercebido de que o nível da água, por uma desconhecida debilidade, tende a ser o mesmo. Nem sequer os habitantes das costas, nem os marinheiros, se aperceberam deste fato, apesar das sinuosidades que forma a terra e a água em muitos lugares.

  • Outra grande contribuição romana, sem que se saiba a sua origem exata, foi começar a contar com paus. Chegando inclusivamente à representação de 5 paus com um V; o que simplificava bastante o cálculo matemático.

  • Era um pouco difícil de acreditar na ideia de que a Terra fosse redonda ou esférica, sobretudo à vista da Lua e do Sol. A forma de meia lua não se tinha observado em nenhum outro sítio, nem sequer em nenhuma laranja iluminada por uma tocha. Por fim, há 500 anos, graças ao conhecimento acumulado e transmitido de geração em geração chegou-se à convicção de que efetivamente era esférica e dava voltas em torno do Sol. Ainda que a alguns valesse algum desgosto -Galileu (1564-1642)- pela razão do salto geracional.

  • Tivemos sorte quando, Newton (1642-1727), graças à sua debilidade pelas matanças e à moda de pensar da sua época, lembrou-se de generalizar a sua debilidade e comprovou, com assombro, que com o Sol e com a Lua acontecia algo parecido.

  • O espanhol Miguel Servet (1511-1553) não teve tanta sorte com as suas ocorrências cobre a circulação pulmonar e o papel que desempenha a respiração na transformação do sangue venenoso em arterial; seguramente não as expôs com o mesmo sentimento poético que Newton.

  • Em todo o caso, e para que ninguém duvide da não-evolução histórica a curto prazo do intelecto humano, as diversas escalas que se utilizam para medir o coeficiente de inteligência adaptam-se cada 20 ou 25 anos no máximo.

    E quando se calculam os coeficientes de inteligência de alguns gênios da humanidade (como fazem alguns autores e são reconhecidos pela sua contribuição informativa sobre a evolução humana); claro, adaptam-se devidamente à época correspondente. Para facilitar a sua compreensão e ser fiéis à realidade de que os coeficientes utilizados são só uma medida relativa! Se dispuséssemos de uma medida semelhante para a altura, os romanos eram tão altos como os humanos de hoje em dia em Itália. Será outro dos efeitos quânticos da relatividade do espaço e o tempo!

Em fim, poderia continuar a dar exemplos indefinidamente; por outro lado, lamento ter utilizado certa ironia nestes últimos pontos, mas eu também tenho algumas debilidades.

Em nenhum momento se pretendei diminuir a contribuição das pessoas mencionadas mais acima, em todo o caso, todo o contrário; pois, os avanços assinalados fazem parte da evolução histórica humana e mostram com clareza, a meu ver, a melhoria gradual da capacidade da mente humana desde a origem do homem.

Voltando à seriedade habitual e relacionando os pontos anteriores com as figuras do crescimento exponencial, pense-se que o Homo Sapiens teve umas 2.000 gerações no máximo, segundo as últimas estimativas paleontológicas. E que, parece que o coeficiente de inteligência se desloca 10 pontos cada 20 anos, o que significa aproximadamente 10 pontos em cada geração.

NOTÍCIAS DA EVOLUÇÃO

 "Encontrados na Etiópia os fósseis mais antigos de...
...Três crânios de há 160.000 anos...
...Dadas as pequenas diferenças com os crânios da espécie atual, os autores da descoberta e análise são partidários de nomear uma nova subespécie para estes fósseis, Homo Sapiens Idàltu, mas especificam que por forma e tamanho são muito próximos aos Homo Sapiens Sapiens (a Humanidade atual)..."

El País 12-06-2003 Nature.

Para terminar este apartado, realçam que os avanços em biologia e genética estão a mostrar-nos, cada vez com maior clareza, as mudanças na informação genética e as inter-relações no curto prazo, o que fará, sem dúvida, que estas e outras questões clássicas se vejam superados num futuro próximo.

 

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